segunda-feira, 28 de janeiro de 2013



Mortes Coletivas - Na ótica Espírita


Por Marina Silva
marippena@hotmail.com


 
                 Sempre que leio ou escuto algo a respeito de “mortes” coletivas recordo o meu primeiro contato real com esse tipo de acontecimento.
Acho que eu tinha cerca de dez anos, quando fiquei impactada diante de fotos da erupção de um vulcão. Olhava a grande quantidade de pessoas,   presas a um tipo de lama   cinza, sem saber que membro pertencia a cada corpo. Apesar do meu gosto pela leitura, não consegui ler toda a reportagem e, durante muito tempo, as imagens ficaram gravadas na minha cabeça.
Por não ter acesso a determinados programas televisivos que o cuidado materno e paterno proibiam, tampouco pude obter detalhes sobre o assunto. Contudo, na idade adulta, conheci a Doutrina Espírita e pesquisei este e outros acontecimentos semelhantes, para entendê-los melhor sob uma ótica espírita.
Tratava-se do vulcão Nevado de Ruiz, localizado nos Andes colombianos, que entrou em erupção no dia 13 de novembro de 1985, matando mais de 25 mil pessoas.
No Natal de 2004, um Tsunami atingiu a região litorânea da Indonésia, deixando 229.866 mortos na Siri Lanka, Índia e Tailândia.
Em dezembro de 2004, um destrutivo incêndio na discoteca Cromagnon, em Buenos Aires, fez 194 vítimas, quase todos jovens.
No dia 1º de Janeiro de 2010, foi registrado um terremoto no Haití que matou mais ou menos 200 mil pessoas.
Em fevereiro de 2010, o Chile também sofreu um grande terremoto, matando cerca de 520 pessoas.
No dia 17 de julho de 2007, um avião que voava entre Porto Alegre e São Paulo, bateu num posto de gasolina, matou 187 pessoas que estavam a bordo e mais 12 que estavam em solo.
Somente nesse ano (2010), foram registrados cinco acidentes aéreos com grande quantidade de vítimas fatais, cujo número supera 1.370.
Sem falar do grande número de assassinatos em massa, que ocorrem em vários países, por ambição, por diferenças ideológicas, por intolerância ou por qualquer outro motivo que não serve como justificativa para que um Ser humano extinga a vida de outro.
O fato é que, diante de situações como essa, é comum as pessoas   questionarem sobre suas razões. Por que ocorre algo tão terrível e mata tantas pessoas, sem escolher idade, sexo, raça ou religião? Muitos creem que é má sorte; para outros é um castigo; alguns pensam que é obra do acaso. Mas, e a Doutrina Espírita? Qual a sua explicação para a questão?
As leis
O Espiritismo explica com muita coerência, que cada um recebe segundo as suas obras, porque todos estamos submetidos à Lei de Ação e Reação ou de causa e efeito e à Lei de Evolução ou de Progresso.
Segundo a primeira, os seres humanos, com nossos pensamentos, sentimentos e ações, criamos causas que terão um efeito posterior. O caráter positivo ou negativo das causas vão gerar o gênero desses efeitos. É uma Lei que não castiga, mas que reajusta as ações cometidas pelo uso do nosso livre arbítrio. Age devolvendo o caminhante desviado e perdido ao caminho correto do bem e do progresso, através das encarnações sucessivas.
A Lei de Evolução ou do Progresso rege a transformação contínua de tudo o que possui vida, desde os estados rudimentares e inferiores, até formas mais perfeitas e complexas. Por intermédio dessa Lei, o ser humano passou a ser o homem “civilizado” de hoje, abandonando suas etapas selvagens e primitivas. Graças à Lei de Evolução e às provas sucessivas, às quais ela nos submete em nossas existências múltiplas, os seres humanos vamos corrigindo nossas imperfeições, transformando nossos defeitos e debilidades em virtudes ou qualidades, que nos empurram à conquista da vida espiritual. A aplicação do nosso livre arbítrio fará com que essa Lei nos faça caminhar pelas trilhas do bem, do amor e da felicidade, ou ao contrário, pelo caminho da dor.
Essas duas Leis determinam a natureza das provações e das expiações que nos são “impostas”, conforme nossas ações e aspirações. “A provação é a luta que ensina ao discípulo rebelde e preguiçoso a estrada do trabalho e da edificação espiritual”[1] ou que o Espírito se auto-impõe para evoluir, quando se cansa de permanecer estagnado. “A expiação é a pena imposta ao malfeitor que comete um crime.”[2] Mas, “provações ou expiações são sempre sinais de uma inferioridade relativa, pois o que é perfeito não tem necessidade de ser provado”[3] e porque o Espírito estagnado ignora temporariamente a sua natureza evolutiva. O que expia recolhe os efeitos das suas más ações, o que é provado atende à Lei de Evolução que preferiu ignorar durante muito tempo.
Individualidade coletiva
Pela lógica exposta dos ensinamentos espíritas, é muito fácil compreender como as Leis citadas são executadas e o que vamos demonstrar é que o gênero de morte que pesa sobre o homem está diretamente vinculado a elas, seja como uma prova ou como uma expiação. Entretanto, falta-nos compreender antes como as faltas individuais podem ser cobradas coletivamente.
Em “Obras Póstumas”[4], encontramos interessante explanação que nos permite entender melhor esse processo, pois nos diz que as mesmas Leis que “regem o indivíduo”, regem também “a família, a nação, as raças e o conjunto dos habitantes dos mundos, que são individualidades coletivas. (...) O indivíduo, a família e a nação cometem faltas e a cada uma delas, seja qual for seu caráter, expia-se em virtude de uma mesma lei.”
Ocorre o mesmo quando se trata de crimes cometidos solidariamente, por um certo número; as expiações são solidárias, o que não aniquila a expiação simultânea das faltas individuais.
Em todo homem há três caracteres: o do indivíduo, do ser em si mesmo: o de membro de família, e, enfim, o de cidadão; sob cada uma dessas três faces pode ser criminoso ou virtuoso, quer dizer, pode ser virtuoso como pai de família, ao mesmo tempo que criminoso como cidadão (...).
Salvo exceção, pode-se admitir como regra geral, que todos aqueles que têm uma tarefa comum reunidos numa existência, já viveram juntos para trabalharem pelo mesmo resultado, e se acharão reunidos ainda no futuro, até que tenham alcançado o objetivo, quer dizer, expiado o passado, ou cumprido a missão aceita.
(...) há faltas do indivíduo e do cidadão; a expiação de umas não livra da expiação das outras, porque é necessário que toda dívida seja paga até o último centavo.
(...) um (...) excelente cidadão, pode ser muito mau pai de família, e outro, que é bom pai de família, probo e honesto em seus negócios, pode ser um mau cidadão, ter soprado o fogo da discórdia, oprimido o fraco, manchado as mãos em crimes de lesasociedade. São essas faltas coletivas que são expiadas coletivamente pelos indivíduos que para elas concorreram, os quais se reencontram para sofrerem juntos a pena de talião (...)
A humanidade se constitui de personalidades que compõem as existências individuais e de gerações que constituem as existências coletivas. (ALLAN KARDEC).

Reorganizando nosso raciocínio, podemos afirmar que somos os responsáveis pelo mal que nos atinge, já que o atraimos por nossos pensamentos, ações e omissões, em qualquer âmbito da nossa ação. Que nossas atitudes no lar influem no conjunto familiar (uma individualidade coletiva), as realizadas como cidadão afetam a nossa comunidade (outra individualidade coletiva) e nossa atividade como habitante do mundo contribuirá no nível evolutivo do planeta em geral. Que a Justiça Divina examina tudo isso minunciosamente, analisa as contribuições e danos que causamos como indivíduos e como individualidade coletiva, para dar a cada um segundo nossas obras, mediante a aplicação da Lei de Ação e Reação.
Para compreendermos melhor essa justiça, apresentamos hipóteses e fatos reais que explicam como tais responsabilidades coletivas são ajustadas nos processos de desencarnação.
Reajustes necesarios
Gerson Simões Monteiro, presidente da “Fundação Espírita Cristã C. Paulo de Tarso”, em um artigo sobre as mortes coletivas, escreve que as vítimas de um terremoto poderiam ser antigos guerreiros que, numa encarnação anterior, destruiram cidades, lares, mataram mulheres e crianças sob os escombros de suas casas e vitimaram a milhares de pessoas. Numa nova encarnação, são “atraidos por uma força magnética pelos crimes praticados coletivamente, reunem-se em determinadas circunstâncias, e sofrem “na pele” por meio de um terremoto ou outra catástrofe semelhante, o mesmo mal que fizeram às suas vítimas indefesas de ontem.” São faltas individuais que influem no coletivo.
Acrescentamos que os sobreviventes também são chamados a uma transformação moral, a uma mudança em suas vidas, mas há pessoas que se aproveitam da situação de caos, em uma região que sofreu citado terremoto, para saquear, roubar, violentar e que se beneficiam com egoísmo das doações recebidas. Para essas, a lição não é suficiente e se comprometem mais seriamente ante a coletividade.
Gerson conta ainda, um caso de uma família que incendiou a casa de um vizinho por vingança e matou todos que estavam ali. Em outra encarnação, os membros da família criminosa se reuniram e expiaram seus crimes em um acidente. Enquanto viajavam, o carro em que estavam pegou fogo e todos morreram queimados, sem conseguirem sair do veículo.
O estudioso explica que cada membro da família reparou seus crimes de forma individual, mas num resgate coletivo.
Temos também um outro exemplo real, explicado nas páginas da literatura espírita. No dia 17 de dezembro de 1961, um circo pegou fogo na cidade de Niteroi (Rio de Janeiro) e cerca de 300 pessoas faleceram.
No livro “Cartas e Crônicas”, psicografado por Francisco Cândido Xavier, o Espírito Humberto de Campos relata a causa do acidente.

No ano 177 da Era Cristã, Marco Aurélio reinava no império romano. Mulheres, homens, crianças, anciões e enfermos cristãos eram detidos, torturados e exterminados. “Mais de 20 mil pessoas já haviam sido mortas”.
Chegou a notícia da visita do famoso guerreiro Lúcio Galo naquelas terras e os donos do poder queriam homenageá-lo de maneira gradiosa e original. Decidiram queimar milhares de cristãos num espetáculo “à altura” do visitante.
“Durante a noite inteira, mais de mil pessoas, ávidas de crueldade, vasculharam residências humildes e, no dia subsequente, ao Sol vivo da tarde, largas filas de mulheres e criancinhas, em gritos e lágrimas, no fim de soberbo espetáculo, encontraram a morte, queimadas nas chamas alteadas ao sopro do vento, ou despedaçadas pelos cavalos em correria.”
“Quase dezoito séculos passaram sobre o tenebroso acontecimento... Entretanto, a justiça da Lei, através da reencarnação, reaproximou todos os responsáveis, que, em diversas posições de idade física, se reuniram de novo para dolorosa expiação, a 17 de dezembro de 1961, na cidade brasileira de Niterói, em comovedora tragédia num circo.”
O notável Mediunato de Chico Xavier também nos esclarece outro fato real ocorrido em São Paulo, no dia 1º de fevereiro de 1974, data em que o Edifício Joelma se encendiou e deixou 188 mortos.
O Espirito Cyro Costa e Cornélio Pires se manifestam por psicografia e deixaram dois sonetos que revelavam a causa das mortes em massa no incêndio. As vítimas resgatavam os “derradeiros resquícios de culpa que ainda traziam na própria alma, remanescentes de compromissos adquiridos em guerra das Cruzadas.[5] (Cyro Costa)

Varrem com fogo e pranto as sombras de outras eras
Combatentes da Cruz em provações austeras,
Conquanto heróis do mundo, honrando os tempos idos. (Cyro Costa)

No capítulo 18 do livro “Ação e Reação”, cuja temática central é a exposição de exemplos reais que demonstram como se manifesta a Lei de Ação e Reação ou de Causa e Efeito, temos um caso muito interessante e o resumimos aqui:

Os trabalhadores do Plano Espiritual receberam um pedido de auxílio às vítimas de um acidente aéreo e o Instrutor Druso conta a história de Ascânio e Lucas. Apesar de terem quase cinco séculos consecutivos de aprendizagem e trabalho digno, ambos não conseguiam atingir esferas mais elevadas porque tinham uma dívida pendente do século quinze, período em que assassinaram dois companheiros precipitando-os do alto de uma fortaleza.
Eles decidiram reencarnar, dedicar-se à aeronáutica e agora faziam parte das vítimas do citado acidente aéreo. Acontece que aqueles que possuem grandes créditos morais podem escolher o gênero de prova com que saldarão suas dívidas.
O benfeitor explica ainda que o socorro é oferecido a todas as vítimas, no entanto, não se pode esquecer que, mesmo que o desastre seja igual para todos, a morte é diferente para cada um. A libertação depende da “vida anterior” de cada indivíduo. Alguns seriam retidos por algumas horas, outros talvez por longos dias. A morte física é diferente da emancipação espiritual.
Druso diz que se a origem de cada provação fosse analizada, entre os acidentados seriam encontrados “deliquentes que, em outras épocas, atiraram irmãos indefesos do cimo de torres altíssimas; companheiros que, em outro tempo, cometeram hediondos crimes sobre o dorso do mar, ou suicidas que se despenharam de arrojados edifícios ou de picos agrestes.”
Tais provações servem também como lutas expiatórias para a família. Pais que fracassaram com seus filhos, em outras épocas, aprendem através da saudade.
A dor coletiva é o remédio que corrige as faltas mútuas.
Pelos ensinamentos do instrutor Druso, entendemos que a desencarnação coletiva não ignora as condições individuais e que nem sempre aqueles que se reunem para resgates coletivos estão envolvidos na mesma ação do passado.
Pela mediunidade de Divaldo Franco, temos notícias sobre as vítimas do tsunami de 2004. Segundo Joanna de Ângelis, a mentora do médium, elas fizeram parte de antigas legiões de bárbaros que destruiram parte da Europa e de outros povos, quando Alarico I e seus exércitos dominaram vários países com crueldade, conquistaram Roma, saquearam-na e a queimaram durante seis dias, no ano 410 d.C.[6]
Parece estar mais que demostrado que, na realidade, não há vítimas inocentes nas tragédias coletivas, mas sim Espíritos que possuem culpas na sua bagagem espiritual. Muitos querem se retificar e, quando estão no Plano Espiritual, pedem a Deus a oportunidade de fazê-lo; escolhem o gênero de resgate, fazem o seu plano e o executam durante a reencarnação. Outros são intimidados a fazê-lo porque teimam em ser rebeldes e maus e precisam sentir na própria pele a dor que causaram nos seus semelhantes, para compreendê-la e transformar-se.
Além disso, há os familiares, os amigos e os sobreviventes que também sofrem a tragédia, mas não injustamente. A Justiça Divina sempre utiliza todos os recursos disponíveis e necessários para aplicar valiosos ensinamentos aos envolvidos, os quais também são devedores perante as Leis ou necessitam passar por esse gênero de prova para se aperfeiçoarem.
Não obstante, quando refletimos sobre as afirmações, perguntamos se Deus é o causador de tais tragédias ou somente as utiliza para aplicar a sua justiça. É algo que vamos analisar agora.
Os desastres naturais
O capítulo VI da terceira parte de “O Livro dos Espíritos”, comenta as finalidades da Lei de Destruição, uma lei natural muito necessária para a renovação da natureza e do homem como Espírito. Nela encontramos os fenômenos naturais, como os terremotos, os vulcões, entre outros.
Sabemos que a Terra, como planeta de prova e expiação, caminha para a condição de um planeta de regeneração e, para que isso aconteça, deve haver uma transformação geral, que inclui não somente o aperfeiçoamento moral e intelectual do homem, senão também uma mudança na estrutura material do planeta.
Os fenônemos naturais sobre os quais o homem não exerce domínio podem ser entendidos perfeitamente como ações do Criador para acelerar esse processo.
Divaldo Franco, numa entrevista concedida a Luis Hu Rivas, explica que há Seres que trabalham na manutenção da Natureza, “tanto na construção como na destruição, para que a Terra atinja” um nível mais elevado. E são eles, sob a orientação de Espíritos Elevados, que executam os acontecimentos necessários para a mudança do planeta. “Depois que as necessidades daqueles que serão incluidos na depuração, mediante o fragelo destrutivo, são estudadas, elaboram-se as ações utilizando-se dos fenômenos geológicos (como no caso do tsunami)” para a aplicação da justiça.
Nesses casos, estão em curso a transformação física da estrutura do Planeta e a utilização desse recurso para a renovação moral dos seus habitantes, seja pelo processo de desencarnação, pela “perda” de seres queridos, seja inclusive pela sensibilização generalizada que o fato desperta na humanidade, quando ela é convidada a praticar a solidariedade para ajudar as “vítimas” diretas do acontecimento.
No entanto, não podemos confundir os fragelos necessários, programados pela Espiritualidade Maior, com aqueles que acontecem pela mão irresponsável do homem, como as inundações, originadas pela falta de respeito à Natureza; como as guerras, cuja fonte é sempre a ambição; os incêndios causados pela omissão ou pela mente criminal.
Jesus disse que “é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo!”[7] O que nos permite compreender que a Lei de Ação e Reação utiliza os equívocos de um homem para retificar os erros de outro. O segundo está se libertando da culpa, o primeiro assume débitos perante a Ley e terá que pagá-los posteriormente.
Mas como a Justiça Divina utiliza os fenômenos naturais e os equívocos de certos indivíduos como ferramenta de depuração de outros?
Américo Domingos Nunes Filho, num artigo publicado na Revista “O Consolador”, explica que se considerarmos que os Espíritos influenciam nos nossos pensamentos, como o diz a questão 459 de “O Livro dos Espíritos”[8], é provável que os Espíritos nos inspirem em quase todos os atos de nossa vida e, por que não, da nossa morte?
O artigo apresenta exemplos:
Se chega o momento de uma pessoa desencarnar por ocasião de um acidente, segundo a sua programação reencarnatória, a Espiritualidade pode inspirá-la a subir em uma escada deteriorada que não suporte o seu peso. Os Espíritos não quebram a escada, mas utilizam a sua fragilidade.
Um homem, cuja programação é a de morrer eletrocutado por um raio, será inspirado a abrigar-se debaixo de uma árvore que será atingida durante uma tempestade.
Da mesma forma, se alguém não deve morrer num acidente ou desastre natural, a inspiração será para que o evite. Por isso muitas pessoas escapam do que seria uma morte certa. Como aquelas que desistem de viajar em cima da hora e, mais tarde, descobrem que o meio de transporte que usariam sofre um acidente.
Enfim, é importante compreender que aqueles que perecem nas tragédias coletivas (ou não) já o tinham programado antes do seu nascimento. A Espiritualidade somente os inspira a reunir-se para cumprir a programação. É um compromisso que assumiram perante a Lei.
É importante destacar também, que o mal não é planejado, que ninguém nasce programado para servir de ferramenta ao cumprimento de uma prova ou expiação. As ações homicidas, genocidas, o terrorismo, as irresponsabilidades que terminam por eliminar vidas, ou as omissões que matam, são escolhas individuais de cada Espírito e, mais cedo ou mais tarde, a Justiça também os alcançará, nessa ou em outra existência.
Queremos esclarecer que tampouco podemos condenar as pessoas que pereceram em tragédias coletivas como antigos criminosos. É mais justo considerá-los como filhos pródigos que conseguiram vencer uma grande etapa no seu caminho evolutivo, que voltam para casa mais leves e serenos, porque se liberaram de culpas que os machucavam.
Queremos dizer aos seus familiares que não se revoltem, nem se sintam abandonados por Deus. Temos uma visão muito limitada da Sua Bondade, do Seu amor e da Sua justiça, já que só podemos lembrar a atual existência e, na maioria das vezes, ela é incapaz de explicar-nos as causas de tais fatos.
Confie, ame, ore e ajude os seus semelhantes que ainda caminham com você. Tente vislumbrar a imagem descrita pelo Espírito Cyro Costa, quando homenageou os mortos no incêndio do edifício Joelma:


Na Terra o sofrimento, a angústia, a cinza, a escória...
Mas ouvem-se no Além os hinos de vitória
Das Milícias do Céu saudando os redimidos.

Referências Bibliográficas

FRANCO, Divaldo. Pelo Espírito Manuel Philomeno de Miranda. Temas da Vida e da Morte. Flagelos e Males.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo O Espiritismo, capítulo V, ítem 9; capítulo XIV, ítem 9.
_____________ O Livro dos Espíritos. Preguntas, 459, 737, 738, 738b, 741, 783, 851 y 852.
_____________ O Céu e o Inferno. Capítulo VIII - Expiaciones terrestres.
_____________ Obras Póstumas. Questões e Problemas: As Expiações Coletivas.
XAVIER, F. Cândido. Espírito Emmanuel. O Consolador. Perguntas 246 e 250.
XAVIER, F. Cândido. Espírito Humberto de Campo. Cartas e Crônicas. Capítulo 6.
_____________ Espírito André Luiz. Ação e Reação. Capítulo 18.
XAVIER, F. Cândido. PIRES, J. Herculano. Espíritos Diversos. Chico Xavier Pede Licença. Capítulo 19.
_____________ Diálogo dos Vivos. Capítulos 25 a 27.
DEMÉTRIO, João. O Porquê das Mortes Coletivas?


[1] O Consolador, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pergunta 246.
[2] Ídem
[3] O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, ítem 9.
[4] Capítulo: Perguntas e Problemas: As Expiações Coletivas

[5] Livro “Diálogo dos Vivos”, de Francisco Cândido Xavier, J. Herculano Pires e Espíritos Diversos. Capítulo 25 a 27.

[6]Entrevista concedida a Luis Hu Rivas, para “A Revista Espirita”
[7] Mateus, 18:7

[8] 459. Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações? – Nesse sentido a sua influência é maior do que supondes, porque muito freqüentemente são eles que vos dirigem.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Planeta "CHUPÂO" , Planeta "X", Nibiru, Marduk - O Décimo Segundo Planeta


O planeta destruidor


A Gnose nos ensina que não devemos ficar na ignorância, pois esta é o pior inimigo do ser humano, segundo o Buda. Passamos a seguir informações que chegavam dos mais diversos ramos científicos, místicos, espirituais, ou canais de informação, como a internet, cruzamos dados interessantes a respeito de um planeta que se aproxima da Terra, e cuja gravidade foi a responsável pelo desvio do eixo da Terra. Tempos atrás, graças a escritos sumérios sobre a existência de um planeta cuja órbita se estendia por outros sistemas solares. Agora pode-se ter uma descrição melhor, coletada a partir de diversas fontes:
Sobre o tal planeta, batizado pelos esoteristas de diversas linhas com o nome de Hercólobus, há inúmeras informações, de diversas fontes, que afirmam enfaticamente sobre sua existência e influência sobre nosso sistema solar, especialmente sobre a Terra.
Há uma presença constante em muitas lendas e escritos antigos falando de um certo planeta ou astro que visitaria a Terra periodicamente. Os espíritas o chamam de Planeta X; o Apocalipse, de Absinto; os babilônios, de Nibiru; os gnósticos, de Hercólubus. Mas parece que o nome é Marduk, que é como os sumérios o conheciam. O aparecimento cíclico desse corpo celeste está milenarmente ligado a catástrofes e fins de civilizações.
As informações que temos é que o tal planeta é muito grande, maior que Netuno, Saturno e Júpiter juntos, e tem uma órbita extremamente elíptica, com um perigeu (distância máxima do Sol) de 400 a 500 unidades astronômicas (1 ua = distância da Terra ao Sol), e um perigeu de umas 4 ou 5 ua (entre o Cinturão de Asteroides e Júpiter). Ou seja, a maior parte do tempo ele fica longe demais do Sol (daí a dificuldade de detecção). Parece que ele é dotado de uma espécie de camada tênue sobre a atmosfera, para conservar o calor, a qual está em infravermelho, fora do espectro visível, daí muitos videntes dizerem que este é um planeta de cor tipicamente avermelhada. Lembramos que apenas em 1997 é que foi encontrado o chamado décimo planeta, a uma distância de cerca de 120 ua! (Plutão dista do Sol quase 40 ua). Imagine 500!
A aproximação desse gigante dos céus poderá causar seriíssimas perturbações na Terra e em outros planetas, especialmente em Marte e Urano, segundo constam afirmações gnósticas. Daí a correlação toda com várias profecias, e isto, se ocorrer realmente, deverá ser nas próximas décadas. É claro que ele já foi detectado por diversos cientistas, e podemos ter certeza que a preocupação nos meios da Inteligência norte-americanos é enorme.
Marduk, Planeta X, Hercólobus… Seja qual for o nome, todos referem-se ao mesmo planeta. Seria o mesmo “abominável da desolação” de Jesus, a “abominação desoladora” do profeta Daniel, a “grande estrela ardente com um facho, chamada Absinto” do Apocalipse de João, a “grande estrela”, “o grande rei do terror”, “o monstro” ou “o novo corpo celeste” de Nostradamus, o “astro intruso” ou “planeta higienizador” da entidade espiritual chamada Ramatis (que foi o primeiro a utilizar o nome “Hercólobus” na atualidade), o “planeta chupão” citado por Chico Xavier, ou o “Planeta X” procurado pelos astrônomos???

O que os diversos profetas falam

Há uma certa semelhança entre o que fala o Velho Testamento e Nostradamus. Tais profecias são corroboradas pelo que se pode ler nos livros espiritualistas.
“E a um eclipse do Sol sucederá o mais escuro e o mais tenebroso verão que jamais existiu desde a Criação até a paixão e morte de Jesus Cristo, e de lá até esse dia, e isto será no mês de outubro, quando uma grande translação se produzirá, de tal modo que julgarão a Terra fora da órbita e abismada em trevas eternas”. (Nostradamus, Carta a Henrique II )
“O Sol converter-se-á em trevas, e a Lua em sangue, ao se aproximar o grandioso e temível dia do senhor” (Livro de Joel)
“Quando o sol ficar completamente eclipsado;
O monstro será visto em pleno dia;
mas o interpretarão de outra forma.
Não serão tomados cuidados: ninguém irá prevê-lo.” (Nostradamus, cent. III, quadra 34 )
Por passar em uma órbita perpendicular à da Terra, Marduk ainda não foi captado. E quando o for, os cientistas calcularão que ele passará distante. Será uma mera atração astronômica, como o cometa Halley. Mas subitamente o planeta desviará sua trajetória (na verdade o erro será de cálculo da órbita) e passará astronomicamente “perto” da Terra, ou seja, o suficiente para as alterações às quais alude Nostradamus e a Isaías, na Bíblia. Os espiritualistas avisam que a população não será alertada, até ser tarde demais. Nosso planeta sacudirá por 3 dias e 3 noites.
“A Terra está de todo quebrantada, ela se move totalmente com violência. A Terra cambaleia como um bêbado e balanceia como rede de dormir.” (Isaías, 24:19-21)
“E logo depois da tribulação daqueles dias, escurecer-se-á o Sol, e a Lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potestades do céu serão abaladas. E então aparecerá o sinal do Filho do Homem no céu, como o relâmpago que sai do Oriente e se mostra até o Ocidente”. (Mateus, 24:27)
“Estrelas cairão do céu.” Isso se deve à nossa perspectiva: quando a terra tremer (e bota tremer nisso) teremos as constelações “se movendo” rapidamente. O “sinal”, visto de todo o planeta, muito provavelmente é o cometa de que fala Nostradamus, que pode ou não ser Marduk. Outra hipótese é ainda mais espantosa, talvez com os extraterrestres finalmente descendo em todas as capitais da Terra em grandes naves (como é prometido por Ashtar Sheran). Outra, defendida pelos gnósticos, é que quando a Terra for deslocada abruptamente de seu eixo natural (23º em relação ao Sol), será como se as estrelas do céu tivessem se movido, ou seja, caído, mas na realidade é a alteração do eixo terrestre.
“Aparecerá no céu, no norte, um grande cometa”. ( Nostradamus, Cent. II, 43)
“A Lua, devido ao novo corpo celeste, aproximar-se-á da Terra e seu disco aparecerá 11 vezes maior que o Sol, o que provocará maiores marés e inundações.” (Nostradamus, cent. IV, 30 )
A Terra, que atualmente tem o seu eixo levemente inclinado (cerca de 23º), recuperará sua posição vertical. O mar invadirá continentes adentro e novas terras aparecerão do oceano. Deve-se, então, procurar os lugares mais altos? Isso será suficiente para a salvação da população terrestre?
O Cristo Jesus disse: “Quando virdes o abominável devastador, que foi predita pelo profeta Daniel, posta no lugar santo (firmamento?) – o que lê entenda – então os que se acham na Judéia, fujam para os montes. (Mateus 24: 15-16)
As fontes de estudo são unânimes em afirmar que dois terços da população da Terra morrerão: “Em toda a terra, diz o Senhor, dois terços dela serão eliminados, e perecerão; mas a terceira parte restará nela”. (Zacarias, 13:8)
“Farei passar a terceira parte pelo fogo, e a purificarei, como se purifica a prata, e a provarei, como se prova o ouro…” (Zacarias, 13:9)
Claro que tudo isso pode ser evitado, como o próprio Nostradamus diz. E ele continua: bilhões vão morrer, mas um terço da humanidade TALVEZ sobreviverá e repovoará o planeta, e a Terra viverá em paz pelos restos de seus dias, isso se os seres humanos seguirem os ditames da harmonia espiritual.

Espiritualidade e o Fim dos Tempos

Interpretando esse fenômeno na visão espírita e católica, essa será a separação do Joio do Trigo. Diz-se que os ciclos de reencarnação na Terra estão acabando, pois a Terra deixará de ser um planeta de expiações (pagamento de penas kármicas, devido à extinção de nosso Ego animal), e, quem não “tomar jeito” agora, não vai ter mais tempo de se redimir, indo para outras esferas (dimensionais) mais baixas. Ou seja… o paraíso é aqui, em nosso próprio coração, em nossos Mundos Internos… ou melhor, será aqui, algum dia. O Marduk vibra numa faixa tão baixa, tão ruim, que os espíritos afinados com essa faixa vão ser sugados para lá.
Ou seja, atrai os espíritos “ruins”, atrasados, que vibram na mesma sintonia. Serão, assim, arrastados pelo planeta, até serem “jogados” às dimensões inferiores da Natureza, como aconteceu com a Terra, nos primórdios da humanidade.

Detecção do Planeta Hercólobus

É verdade. Ele já foi detectado por cientistas, mas que não estão fazendo alarde. A massa (como os cientistas o chamam ainda) está chegando a Plutão. A órbita dele sai do nosso Sistema Solar e vai para outro. Não pode ser visto. Por algum motivo, ele é composto de um material que ABSORVE toda a luz (talvez seja composto da matéria escura que forma 99% do universo e que os cientistas admitem que não conseguem vê-lo completamente, apenas sabem que ele existe devido às interferências que produz nos planetas externos, como Urano, Netuno e Plutão). A diferença para um buraco negro é que ele não suga a luz, apenas não a reflete.
Outro fator é que a órbita dele é perpendicular à da Terra. Só se sabe da existência dele porque, quando ele passa próximo a alguma estrela, a gravidade dele causa uma curvatura na luz que chega aqui na Terra. É assim que se descobrem muitos planetas fora do Sistema Solar. E assim foi descoberto que essa “massa” é dotada de GRANDE poder gravitacional. (Em 1980 o jornal O Globo publicou que as sondas Pioneer 10 e 15 estavam à procura de um suposto planeta X, que, com sua força, alterou as órbitas de Netuno e Urano.)
Os cientistas têm 99% de certeza de que isso foi causado por um corpo com a massa muitas vezes maior que o tamanho da Terra. Tudo isso cientificamente… um cientista chegou a cogitar a hipótese de esse planeta ser na verdade uma anã, ou um buraco negro. Os povos antigos sabiam, de alguma forma, da existência de um planeta “anômalo”, assim como os sumérios, que descreviam a órbita desse planeta, que leva 6.666 anos terrestres para percorrer uma órbita elíptica em torno de seu Sol.
Esse Sol é chamado esotericamente de Sol Tylar, e seria a mesma estrela Barnard, e Hercólobus seria o planeta Barnard I, fazendo um “laço” à volta dos planetas exteriores. Os sumérios o chamavam de Nibiru. Os babilônios o rebatizaram de Marduk, em homenagem ao seu deus nacional. Também conhecido como Hercólobus ou Hercólubus. Os sumérios dizem que o planeta era habitado pelos Anunnaki, também conhecidos como Nefilim, que utilizavam a órbita singular do planeta como um observatório em movimento.
Será Hercólobus o Anjo Executor do planeta Terra? Quem viver, verá. E quem “morrer”, se salvará!!!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

ESPIRITISMO, COISA DE DEMÔNIO?

por Alkíndar Oliveira





“Reconhecereis meus discípulos por muito se amarem”.


Jesus




Sou espírita. Respeito todas as religiões que têm Deus como o Pai maior.



Vejo os integrantes das demais religiões como diletos irmãos. Nem poderia ser diferente. Se somos filhos do mesmo Deus por que o fato de professarmos diferentes religiões impediria vermo-nos como irmãos?


E como irmão do caro leitor, aproveito desta oportunidade para trazer à tona alguns conceitos - ou preconceitos - equivocados em relação ao Espiritismo.


Caro irmão-leitor, não tenho o intuito de convertê-lo ao Espiritismo. Se você se encontrou no Catolicismo ou no Protestantismo para que mudar de religião?


Nós, espíritas, muito valorizamos o Catolicismo. Podemos dizer que o Catolicismo é a religião-mãe. Se não fosse a força, a coragem, a fé e a determinação dos primeiros católicos as palavras do nosso Mestre Jesus não teria chegado aos nossos dias. A humanidade muito deve ao Catolicismo.


Também respeitamos e valorizamos o Protestantismo. Quando o homem ficou mais preocupado com a religião externa, isto é, mais valorizava a forma do que o conteúdo, foi o Protestantismo que chacoalhou uma situação de inércia e reavivou as palavras do Mestre.


Mas por que alguns - não todos - católicos e protestantes, nossos diletos irmãos, insistem em dizer que o “o Espiritismo é coisa do demônio”?


Jesus disse “Pelos frutos conhecereis a árvore”.


Os espíritas, como outros religiosos, têm como sua principal meta procurar seguir, com as limitações próprias da natureza humana, os preceitos de Jesus em sua máxima “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.


Que demônio é este que inspira aos espíritas o amor a Deus e ao próximo?


Os espíritas, como outros religiosos, acreditam na realidade maior da vida: “fora da caridade não há salvação”.


Que demônio é este que inspira aos espíritas fazer a caridade ao próximo?


Os espíritas têm por princípio a valorização e o respeito às demais religiões, todas consideradas como diferentes ferramentas idealizadas pelo mesmo Arquiteto.


Que demônio é este que inspira aos espíritas a fraternidade e a solidariedade entre integrantes de religiões muitas vezes sustentadas em dogmas ou em faces da verdade conflitantes entre si?


Que demônio é este que, onde há divergência de opiniões, procura unir em vez de semear a discórdia?


Os verdadeiros espíritas, isto é, àqueles que seguem os preceitos máximos da doutrina, tem como rotina em sua vida o esforço pela sua transformação moral.


Que demônio é este que inspira aos espíritas constante preocupação com sua
elevação moral?


Caro irmão e leitor, reflitamos:


Que demônio é este que fala em amor, caridade, solidariedade, fraternidade e em transformação moral?


Só não vê, como disse nosso Mestre Jesus, quem não tem olhos para ver.


Por favor, não entenda que o objetivo deste artigo é a sua conversão. Se você é um bom católico, continue a sê-lo. Se você professa uma das diversas religiões protestantes, continue na sua convicção. Mas se você é dos que dizem que “o Espiritismo é coisa do demônio” procure - sem
abandonar sua religião - pelo menos estudar alguns livros espíritas. A critica gratuita, sem análise, sem profundo estudo, não deve fazer parte de nossos atos. Dê a si mesmo o direito de conhecer melhor o seu objeto de crítica. Estude.


É importante dizer que a denominação “Espiritismo” assumiu conotações que não correspondem à real essência da doutrina codificada pelo educador Allan Kardec, e que se sustenta no evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo.


No Espiritismo não há queima de vela, incenso, “trabalhos”, magias, imagens ou outros rituais. Muitas pessoas, não espíritas, muitas pessoas mesmo, imaginam - sem antes pesquisar - que o Espiritismo manifesta-se por tudo que nele não existe, como os exemplos citados (queima de vela, incenso, “trabalhos”, magias, culto a imagens, rituais, etc.).


Muitas religiões que se autodenominam Espiritismo, não o são de fato.


O templo do Espiritismo é o templo do estudo, do amor e da caridade.


Outras pessoas, como você, também não acreditavam ou tinham uma opinião deformada do Espiritismo e de seus preceitos como mediunidade e reencarnação.


William Crookes, o extraordinário pai da Física contemporânea, o homem que descobriu o tálio, a matéria radiante, a quem se deve os pródomos da Física Nuclear da atualidade chegou a dizer textualmente: “Eu era um materialista absoluto e, depois de investigar em profundidade científica os fenômenos mediúnicos, eu afirmo que eles já não são possíveis: eles são reais!”


César Lombroso, depois de examinar a mediunidade de Eusápia Paladino disse estas palavras: “Quando me lembro do que eu e meus colegas zombávamos daqueles que acreditavam no Espiritismo, coro de vergonha, porque hoje eu também sou espírita! A evidência dos fatos dobrou a minha convicção negativa”.


E ainda Cronwell Varley, o que lançou sobre o mundo as linhas da telegrafia e da telefonia internacional, os cabos transoceânicos, teve a coragem de dizer: “Somente negam os fenômenos espíritas, aqueles que não se deram ao trabalho de os estudar. Eu não conheço um só exemplo de alguém que os haja estudado, que não se tenha rendido à sua evidência”.


Não. Não precisa tornar-se espírita. Mas estude o Espiritismo antes de criticá-lo.


E lembremo-nos que todos, independentemente de religiões, somos filhos do mesmo Deus e devemos irmanarmo-nos, unirmo-nos pelo bem comum, pelo amor ao próximo, pelos atos de solidariedade humana. Jesus disse de forma simples e direta: “Reconhecereis meus discípulos por muito se amarem”.
Portanto, Ele recomenda que a meta é o amor imperar em todos nós, independentemente da religião que professamos.


Lembremo-nos, ainda, que ninguém é dono da Verdade Absoluta. Deus sendo Pai de toda a humanidade é também o Pai de todas as religiões. Respeitemo-nos mutuamente, cheguemo-nos mais pertos, para oportunizarmos o “aprender a amarmo-nos”. Só assim seremos dignos de sermos chamados de FILHOS DE DEUS.


Para encerrar, leiamos a letra abaixo, musicada pelo admirável católico-cantor Padre Zezinho, que é um hino ao respeito e à união dos seguidores das mais diversas religiões:






CANÇÃO ECUMÊNICA


Padre Zezinho






Que todos nós,


que acreditamos em Deus,


saibamos viver em paz e dialogar!


Que todos nós,


que cremos que Deus é Pai,


saibamos nos respeitar e nos abraçar!


Filhos do Universo,


filhos do mesmo amor,


saibamos ouvir uns aos outros,


ouvir o que o outro nos tem a dizer.


E, sem combater,


sem desmerecer,


primeiro escutar,


depois discordar,


por fim celebrar e orar.


E adorar e servir a Deus.


E ajudar e ajudar as pessoas...


e respeitar os ateus!


... pra sermos filhos de Deus.




Alkíndar de Oliveira
Kardec e Napoleão – (Irmão X)


Logo após o 18 Brumário (9 de novembro de 1799) quando Napoleão se fizera o Primeiro-Cônsul da República Francesa, reuniu-se, na noite de 31 de dezembro de 1799, no coração da latinidade, nas Esferas Superiores, grande assembléia de Espíritos sábios e benevolentes, para marcarem a entrada significativa do novo século.


Antigas personalidades de Roma imperial, pontífices e guerreiros das Gálias, figuras notáveis da Espanha, ali se congregavam à espera do expressivo acontecimento. Legiões dos Césares, com os seus estandartes, falanges de batalhadores do mundo gaulês e grupos de pioneiros da evolução hispânica, associados a múltiplos representantes das Américas, guardavam linhas simbólicas de posição de destaque.


Mas não somente os latinos se faziam representados no grande conclave. Gregos ilustres, lembrando as confabulações da Acrópole gloriosa, israelitas famosos, recordando o Templo de Jerusalém, deputações eslavas e germânicas, grandes vultos da Inglaterra, sábios chineses, filósofos hindus, teólogos budistas, sacrificadores das divindades olímpicas, renomados sacerdotes da Igreja Romana e continuadores de Maomé ali se mostravam, como em vasta convocação de forças da ciência e da cultura da Humanidade.


No concerto das brilhantes delegações que aí formavam, com toda a sua fulguração representativa, surgiam Espíritos de velhos batalhadores do progresso que voltariam à liça carnal ou que a seguiriam, de perto, para o combate à ignorância e à miséria, na laboriosa preparação da nova era da fraternidade e da luz.


No deslumbrante espetáculo da Espiritualidade Superior, com a refulgência de suas almas, achavam-se Sócrates, Platão, Aristóteles, Apolônio de Tiana, Orígenes, Hipócrates, Agostinho, Fénelon, Giordano Bruno, Tomás de Aquino, S. Luís de França, Vicente de Paulo, Joana D’Arc, Teresa d’Avila, Catarina de Siena, Bossuet, Spinoza, Erasmo, Milton, Cristóvão Colombo, Gutenberg, Galileu, Pascal, Swedenborg e Dante Alighieri, para mencionar apenas alguns heróis e paladinos da renovação terrestre; e, em plano menos brilhante, encontravam-se, no recinto maravilhoso, trabalhadores de ordem inferior, incluindo muitos dos ilustres guilhotinados da Revolução, quais Luiz XVI, Maria Antonieta, Robespierre, Danton, Madame Roland, André Chenier, Bailly, Camille Desmoulins e grandes vultos como Voltaire e Rousseau.


Depois da palavra rápida de alguns orientadores eminentes, invisíveis clarins soaram na direção do plano carnal e, em breves instantes, do seio da noite, que velava o corpo ciclópico do mundo europeu, emergiu, sob a custódia de esclarecidos mensageiros, reduzido cortejo de sombras, que pareciam estranhas e vacilantes, confrontadas com as feéricas irradiações do palácio festivo. Era um grupo de almas, ainda encarnadas, que, constrangidas pela Organização Celeste, remontavam à vida espiritual, para a reafirmação de compromissos.


À frente, vinha Napoleão, que centralizou o interesse de todos os circunstantes. Era bem o grande corso, com os seus trajes habituais e com o seu chapéu característico. Recebido por diversas figuras da Roma antiga, que se apressavam em oferecer-lhe apoio e auxílio, o vencedor de Rivoli ocupou radiosa poltrona que, de antemão, lhe fora preparada.


Entre aqueles que o seguiam, na singular excursão, encontravam-se respeitáveis autoridades reencarnadas no Planeta, como Beethoven, Ampère, Fulton, Faraday, Goethe, João Dalton, Pestalozzi, Pio VII, além de muitos outros campeões da prosperidade e da independência do mundo. Acanhados no veículo espiritual que os prendia à carne terrestre, quase todos os recém-vindos banhavam-se em lágrimas de alegria e emoção.


O Primeiro-Cônsul da França, porém, trazia os olhos enxutos, não obstante a extrema palidez que lhe cobria a face. Recebendo o louvor de várias legiões, limitava-se a responder com acenos discretos, quando os clarins ressoaram, de modo diverso, como se se pusessem a voar para os cimos, no rumo do imenso infinito...


Imediatamente uma estrada de luz, à maneira de ponte levadiça, projetou-se do Céu, ligando-se ao castelo prodigioso, dando passagem a inúmeras estrelas resplendentes. Em alcançando o solo delicado, contudo, esses astros se transformavam em seres humanos, nimbados de claridade celestial.


Dentre todos, no entanto, um deles avultava em superioridade e beleza. Tiara rutilante brilhava-lhe na cabeça, como que a aureolar-lhe de bênçãos o olhar magnânimo, cheio de atração e doçura. Na destra, guardava um cetro dourado, a recamar-se de sublimes cintilações...


Musicistas invisíveis, através dos zéfiros que passavam apressados, prorromperam num cântico de hosanas, sem palavras articuladas. A multidão mostrou profunda reverência, ajoelhando-se muitos dos sábios e guerreiros, artistas e pensadores, enquanto todos os pendões dos vexilários arriavam, silenciosos, em sinal de respeito.


Foi então que o grande corso se pôs em lágrimas e, levantando-se, avançou com dificuldade, na direção do mensageiro que trazia o báculo de ouro, postando-se, genuflexo, diante dele.


O celeste emissário, sorrindo com naturalidade, ergueu-o, de pronto, e procurava abraçá-lo, quando o Céu pareceu abrir-se diante de todos, e uma voz enérgica e doce, forte como a ventania e veludosa como a ignorada melodia da fonte, exclamou para Napoleão, que parecia eletrizado de pavor e júbilo, ao mesmo tempo: – Irmão e amigo, ouve a Verdade, que te fala em meu espírito! Eis-te à frente do apóstolo da fé, que, sob a égide do Cristo, descerrará para a Terra atormentada um novo ciclo de conhecimento...


César ontem, e hoje orientador, rende o culto de tua veneração, ante o pontífice da luz! Renova, perante o Evangelho, o compromisso de auxiliar-lhe a obra renascente!...


Aqui se congregam conosco lidadores de todas as épocas. Patriotas de Roma e das Gálias, generais e soldados que te acompanharam nos conflitos da Farsália, de Tapso e de Munda, remanescentes das batalhas de Gergóvia e de Alésia aqui te surpreendem com simpatia e expectação... Antigamente, no trono absoluto, pretendias-te descendente dos deuses para dominar a Terra e aniquilar os inimigos... Agora, porém, o Supremo Senhor concedeu-te por berço uma ilha perdida no mar, para que te não esqueças da pequenez humana e determinou voltasses ao coração do povo que outrora humilhaste e escarneceste, a fim de que lhe garantas a missão gigantesca, junto da Humanidade, no século que vamos iniciar.


Colocado pela Sabedoria Celeste na condição de timoneiro da ordem, no mar de sangue da Revolução, não olvides o mandato para o qual foste escolhido. Não acredites que as vitórias das quais foste investido para o Consulado devam ser atribuídas exclusivamente ao teu gênio militar e político. A Vontade do Senhor expressa-se nas circunstâncias da vida. Unge-te de coragem para governar sem ambição e reger sem ódio. Recorre à oração e à humildade para que te não arrojes aos precipícios da tirania e da violência!...


Indicado para consolidar a paz e a segurança, necessárias ao êxito do abnegado apóstolo que descortinará a era nova, serás visitado pelas monstruosas tentações do poder. Não te fascines pela vaidade que buscará coroar-te a fronte... Lembra-te de que o sofrimento do povo francês, perseguido pelos flagelos da guerra civil, é o preço da liberdade humana que deves defender, até o sacrifício. Não te macules com a escravidão dos povos fracos e oprimidos e nem enlameies os teus compromissos com o exclusivismo e com a vingança!...


Recorda que, obedecendo a injunções do pretérito, renasceste para garantir o ministério espiritual do discípulo de Jesus que regressa à experiência terrestre, e vale-te da oportunidade para santificar os excelsos princípios da bondade e do perdão, do serviço e da fraternidade do Cordeiro de Deus, que nos ouve em seu glorificado sólio de sabedoria e de amor!


Se honrares as tuas promessas, terminarás a missão com o reconhecimento da posteridade e escalarás horizontes mais altos da vida, mas, se as tuas responsabilidades forem menosprezadas, sombrias aflições amontoar-se-ão sobre as tuas horas, que passarão a ser gemidos escuros em extenso deserto... Dentro do novo século, começaremos a preparação do terceiro milênio do Cristianismo na Terra.


Novas concepções de liberdade surgirão para os homens, a Ciência erguer-se-á a indefiníveis culminâncias, as nações cultas abandonarão para sempre o cativeiro e o tráfico de criaturas livres, e a religião desatará os grilhões do pensamento que, até hoje, encarceram as melhores aspirações da alma no inferno sem perdão!... Confiamos, pois, ao teu espírito valoroso a governança política dos novos eventos e que o Senhor te abençoe!...


Cânticos de alegria e esperança anunciaram nos céus a chegada do século XIX e, enquanto o Espírito da Verdade, seguido por várias coortes resplandecentes, voltava para o Alto, a inolvidável assembléia se dissolvia... O apóstolo que seria Allan Kardec, sustentando Napoleão nos braços, conchegou-o de encontro ao peito e acompanhou-o, bondosamente, até religá-lo ao corpo de carne, no próprio leito.


Em 3 de outubro de 1804, o mensageiro da renovação renascia num abençoado lar de Lião, mas o Primeiro-Cônsul da República Francesa, assim que se viu desembaraçado da influência benéfica e protetora do Espírito de Allan Kardec e de seus cooperadores, que retomavam, pouco a pouco, a integração com a carne, confiantes e otimistas, engalanou-se com a púrpura do mando, e, embriagado de poder, proclamou-se Imperador, em 18 de maio de 1804, ordenando a Pio VII viesse coroá-lo em Paris.


Napoleão, contudo, convertendo celestes concessões em aventuras sanguinolentas, foi apressadamente situado, por determinação do Alto, na solidão curativa de Santa Helena, onde esperou a morte, enquanto Allan Kardec, apagando a própria grandeza, na humildade de um mestre-escola, muita vez atormentado e desiludido, como simples homem do povo, deu integral cumprimento à divina missão que trazia à Terra, inaugurando a era espírita-cristã, que, gradativamente, será considerada em todo os quadrantes do orbe como a sublime renascença da luz para o mundo inteiro.




<< Do livro Cartas e Crônicas, de Irmão X, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier >>